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BPC Deficiente Negado por Perícia Médica em Cotia: Como Apresentar Laudo Particular

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BPC Deficiente Negado por Perícia Médica em Cotia: Como Apresentar Laudo Particular para Revogar a Decisão #

A negativa do Benefício de Prestação Continuada (BPC) ao deficiente em Cotia, especialmente quando fundamentada em perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), é uma situação que gera angústia e incerteza. Muitos cidadãos que dependem deste amparo social se veem em um impasse quando o parecer técnico da autarquia federal não reflete a real condição de saúde e a incapacidade laborativa ou de participação plena na sociedade. Nesses casos, a apresentação de um laudo médico particular, elaborado por profissional de confiança e com conhecimento aprofundado da patologia, torna se uma ferramenta fundamental na busca pela reversão da decisão desfavorável.

A legislação previdenciária brasileira, notadamente a Lei 8.213/91, em seu artigo 20, define o BPC como um benefício assistencial de prestação continuada, devido à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais, que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê la provida por sua família. Para a concessão ao deficiente, a lei estabelece, de forma clara, a necessidade de comprovação da deficiência de longo prazo que gere impedimentos de natureza física sensorial mental ou intelectual que possa impossibilitar a participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. A avaliação dessa deficiência, e de seu impacto na capacidade para o trabalho ou para a vida em sociedade, é realizada pelo INSS, geralmente por meio de perícia médica e avaliação social.

No entanto, é preciso reconhecer que a perícia médica do INSS, embora fundamental, pode apresentar falhas ou não capturar a totalidade das nuances que acometem o indivíduo. Diversos fatores podem levar a um resultado desfavorável, como a brevidade da consulta, a falta de conhecimento específico do perito sobre a patologia em questão ou mesmo a dificuldade do segurado em expressar a gravidade de seus sintomas em um curto espaço de tempo. É justamente nessas circunstâncias que um laudo médico particular, detalhado e elaborado com rigor técnico e científico, pode fazer a diferença.

Um laudo médico particular de qualidade é aquele que vai além do simples atestado. Ele deve conter um histórico clínico completo, a descrição detalhada dos exames realizados (com os respectivos resultados), a explicitação dos sintomas, a evolução da doença, o tratamento proposto e, crucialmente, a análise do impacto da condição de saúde na vida do paciente, especialmente no que tange à sua capacidade de trabalho e à sua autonomia. É essencial que o médico que assina o laudo possua especialização na área correspondente à patologia do requerente e que demonstre, de forma inequívoca, a incapacidade laborativa ou a necessidade de assistência permanente.

Em Cotia, assim como em outras cidades da região metropolitana de São Paulo, a competência para julgar as ações em que se discute a concessão ou restabelecimento do BPC, após a negativa administrativa do INSS, recai sobre a Justiça Federal de Osasco. Isso significa que, se o recurso administrativo junto ao próprio INSS não for bem sucedido, o próximo passo é a propositura de uma ação judicial. Para o sucesso dessa ação, a qualidade da prova documental, incluindo o laudo particular, é de suma importância. O Tribunal Regional da Terceira Região TRF-3, responsável por julgar os recursos de apelação oriundos da Justiça Federal de Osasco, tem reiteradamente decidido pela relevância do laudo médico particular quando ele se mostra mais detalhado e esclarecedor que a perícia oficial.

O que se busca com um laudo particular é complementar ou, em alguns casos, contrapor a perícia do INSS. Ele deve ser elaborado com o máximo de detalhe possível. Recomenda-se que o médico responsável pela elaboração do laudo particular:

  • Obtenha todo o histórico médico do paciente, incluindo prontuários de outros médicos, resultados de exames de imagem (ressonância magnética, tomografia, raio X), laudos de especialistas, relatórios de fisioterapia, psicoterapia, entre outros.
  • Descreva minuciosamente a patologia, seus sintomas, sua progressão e as limitações que ela impõe ao indivíduo.
  • Justifique a incapacidade laborativa ou a necessidade de assistência continuada com base na CID Código Internacional de Doenças e no impacto funcional da doença.
  • Anexe cópias de todos os exames que comprovem as alegações.
  • Informe sua qualificação profissional, especialização e registro no conselho regional de medicina CRM.
  • Se possível, que o médico realize um exame físico detalhado do paciente no momento da elaboração do laudo, documentando suas impressões.

É fundamental que o laudo particular seja imparcial e tecnicamente impecável. Ele não deve ser um mero panfleto em favor do segurado, mas sim um documento técnico que apresente, de forma clara e fundamentada, a realidade da condição de saúde do indivíduo. A clareza na descrição dos impedimentos é essencial para que o juiz da Justiça Federal de Osasco, e posteriormente os desembargadores do TRF-3, compreendam a extensão da deficiência e a sua consequência na vida do requerente.

A Instrução Normativa 128/2022 do INSS, que consolida as normas relativas aos benefícios previdenciários e assistenciais, estabelece que a prova do impedimento de longo prazo pode ser feita por meio de documentos médicos e exames. Embora a perícia médica do INSS seja o meio usual de comprovação, a legislação não veda a utilização de laudos particulares como prova complementar ou, em casos de divergência flagrante, como elemento de convicção para o juízo. A jurisprudência tem se mostrado cada vez mais favorável à valorização do laudo médico particular quando este é robusto e bem fundamentado, especialmente quando a perícia oficial é inconclusiva ou superficial.

É importante ressaltar que a elaboração de um laudo particular de qualidade requer um investimento financeiro. No entanto, considerando o valor do BPC e a possibilidade de receber valores retroativos desde a data do indeferimento administrativo, este investimento se mostra estratégico e, muitas vezes, indispensável para reaver um direito fundamental.

Ao se deparar com a negativa do BPC por conta da perícia médica do INSS em Cotia, o primeiro passo, após a negativa administrativa, deve ser procurar um advogado especializado em direito previdenciário. Esse profissional poderá avaliar a situação, orientar sobre a documentação necessária e, se for o caso, recomendar a elaboração de um laudo médico particular. O advogado atuará em conjunto com o médico para garantir que o laudo atenda a todos os requisitos técnicos e legais para ser apresentado à Justiça Federal de Osasco.

No contexto de uma ação judicial, o laudo particular servirá como um forte elemento de prova, complementando ou até mesmo superando a perícia realizada pelo INSS. A Justiça Federal, ao analisar o caso, considerará todos os elementos apresentados, incluindo os laudos médicos. A atuação de um advogado experiente é crucial para articular essas provas de forma eficaz, apresentando os argumentos jurídicos que sustentam a necessidade da concessão do benefício. Em muitos casos, a simples apresentação de um laudo particular bem elaborado pode levar à concessão do benefício administrativamente, evitando a necessidade de um processo judicial prolongado.

Lembrem se que a deficiência de longo prazo, como definida pela Lei Complementar nº 142/2013, se refere àquela que produza efeitos pelo prazo mínimo de 2 (dois) anos. A comprovação desse caráter de longo prazo é um dos pilares para a concessão do BPC. O laudo particular deve, sempre que possível, indicar essa perspectiva de cronicidade ou de longa duração da condição de saúde.

O objetivo final é demonstrar, de forma irrefutável, que a condição de saúde da pessoa com deficiência gera impedimentos que a incapacitam para a vida em sociedade e para o trabalho, justificando assim a necessidade do Benefício de Prestação Continuada. A análise técnica e empática de um profissional qualificado, aliada à robustez de um laudo médico particular bem elaborado, são os caminhos mais seguros para reverter a negativa do INSS em Cotia e garantir o direito ao amparo social. A persistência e a busca por auxílio profissional especializado são chaves para superar este obstáculo e assegurar a dignidade que o BPC visa proporcionar.


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